Como medir a ruptura em gôndola

Nada mais frustrante do que ficar com a gôndola vazia, tendo as vendas prejudicadas. Especialistas apontam como apurar corretamente a ruptura e o que fazer para evitar o problema.

A ruptura pode ser considerada um dos principais vilões do dia a dia do supermercadista. Afinal, nada mais frustrante do que ficar com a gôndola cheia de buracos, sem atender as demandas do consumidor e tendo as vendas prejudicadas. Identificar com precisão a origem da falta de produtos é essencial a fim de que os esforços para solucionar o problema sejam bem direcionados. E isso é possível medindo a ruptura. Como a operação é o principal gargalo, vale a pena iniciar os esforços nesse segmento.

Boa parte dos varejistas só enxerga a ruptura quando o estoque chega a zero, ignorando ou negligenciando tudo o que ocorre antes disso, como afirma Anderson Ozawa, diretor de prevenção e gestão de varejo da Boucinhas Consultoria. Já para Frederico Perdigão, consultor do Instituto Aquila, os supermercadistas dedicam pouco tempo para tratar as raízes da ruptura. “A falta de uma sistemática de acompanhamento do indicador e a ausência de uma cultura com foco em resultados são fatores que dificultam a vida dos empresários”, comenta.

Para ajudar a encaminhar melhor a questão, os dois especialistas apontam como apurar corretamente a ruptura e o que fazer para evitar o problema. Acompanhe a seguir.

Mensurar estoque e venda

Hoje existem vários bons sistemas integrados de gestão que permitem extrair os relatórios de estoque e venda e, a partir deles, medir a ruptura em gôndola. Anderson Ozawa defende, contudo, que é preciso trabalhar um pouco mais para tornar os dados mais confiáveis. Para ele, deve-se fazer a análise conjunta do giro do produto, do histórico de vendas e da demanda diária e sazonal, além da contagem no ponto de venda. “O supermercadista precisa de um software que armazene e analise esses dados e precisa colocar o inventário na rotina do encarregado”, explica. “O colaborador, nesse caso, precisa conhecer o produto, saber qual o seu giro e também fazer a contagem com a ajuda do planograma. Isso garante uma boa gestão”, acrescenta.

Organizar o depósito

Outro problema é quando o produto falta na gôndola, mas o sistema indica sua existência na loja. Muitas vezes, essa divergência ocorre devido à má organização do depósito, o que dificulta encontrar produtos. Por isso, eles devem ser agrupados no estoque conforme o layout do supermercado. Ou seja, precisa obedecer à divisão de setores e categorias. “O supermercadista pode tornar cada encarregado da loja responsável pelo mesmo setor no depósito e, assim, conseguir eliminar a perda de produtos por desorganização do estoque”, explica Ozawa. É preciso, claro, criar um processo de disciplina e responsabilidades.

Melhorar processos

Com a medição correta, é possível identificar os gargalos e promover melhorias. O supermercadista deverá aperfeiçoar os processos de recebimento, abastecimento e reposição e repensar cada atividade. Convém discutir com gestores e também com os responsáveis diretos por cada tarefa para chegar a novas possibilidades, mais eficientes e menos geradoras de ruptura.

Desenvolver pessoas

Para Frederico Perdigão, do Aquila, o desenvolvimento das pessoas é igualmente fundamental para melhorar a eficiência operacional. Esse desenvolvimento passa por treinamento, conscientização da importância de cada processo e do controle da ruptura, além de orientação, acompanhamento e, de preferência, metas.

Números da ruptura

  • 10% de ruptura Produtos que faltaram nos pontos de venda em junho

  • 5% de vendas perdidas sobre o total de ruptura em junho

  • 56% vêm de falhas na execução

  • 30% de estoque virtual sobre o total de falhas na execução

Fonte: Neogrid – estudo baseado nas cinco categorias mais vendidas nos supermercados

Mais do que extrair relatórios do sistema para calcular os prejuízos com a ruptura, é preciso garantir que os dados utilizados estejam corretos.

Fonte: Supermercado Moderno


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